terça-feira, 22 de junho de 2010

Encaixe (traduz o dia... rs)

A noite avançava e o mundo lá fora era completamente esquecido. A vela, a cera, teu corpo... Quando em um dos raros momentos em que eu não fui instinto, li a poesia que era escrita em nosso instante. O vidro embaçado, a janela pro oculto e a vibração, o ritmo frenético, o sexo, o calor. Pernas entrelaçadas, o encaixe perfeito, eu indo e vindo de encontro ao teu prazer, ao meu prazer, ao gozo, ao ponto... no ponto! Me encontro em você e em mim te vejo, desejo teu sorriso mais safado, mais satisfeito, teu olhar malicioso suplicando por mais um recomeço... e eu recomeço, desta vez mais envolvido ainda, mais do que poderíamos supor. Tua boca dando início e indicando... Tua língua passeando, envolvendo, provocando e a minha percorrendo o teu corpo, lambendo os teus sentidos, aguçando minha luxúria. O brinde ao sabor de nossos corpos, hoje copos de volúpia e desejo... Lá vamos nós! Desta vez, você por cima, trocamos, invertemos, você de quatro e eu sedento, esfomeado e necessitado cada vez mais do teu gosto, do teu corpo, querendo te engolir e preservar nosso entrosamento, nosso encontro em um canto tão perdido, entretanto tão bonito. Novamente o gozo, o fogo, o gole, a festa... Teu sabor, de amargo, fica doce, de orgulho à exaustão, sensação de ter cumprido, mesmo que por um momento, a obrigação de ser, estar, fazer e permitir-se... feliz, felizes, saciados... Eu quero mais, e você?

* este e outros textos, você encontra no Recanto das Letras (perfil de Moises Neto)

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