Fantasmas...
Na quarta-feira, eu vi um fantasma. A pele ainda clara, o mesmo sorriso cativante e indecente, mas o corpo, os cabelos... Não, apesar de algumas diferenças, era ela sim. Eu sei... Algo detonou em mim aquele velho ódio, aquela raiva. Ou seria a paixão? Não sei mensurar, portanto vou levando. Só sei que não me curei de algumas coisas, embora tenha me refeito de outras. Ficamos em pé, lado a lado no 917. Ela desceu dois pontos antes de mim, mas não pude deixar de notar: que coxas, que bunda, que peitos lindos. Será que sempre foram assim e eu, garoto novo que era, esperei demais do restante: coração, cabeça, comportamento, postura. Nada disso! Acho que ela não os possuía, sinceramente. Mas não era culpa só dela. Pelo contrário, fico puto de não ter conseguido falar nada enquanto fingíamos não nos conhecer. Eu deveria ter agradecido por tudo o que ela me fez, pelo Moisés que ela criou. Mas já foi... Quem sabe em uma outra oportunidade, né?
No dia seguinte, maluco que sou, na volta do estágio, vaguei por um bairro que é quase o que eu peço de Deus... Na quarta-feira, vi um fantasma. Quem sabe não via outro?
Deus que me proteja...

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