O que herdamos do amor?
* Este texto é inspirado no livro 'O Passado', de Alan Pauls, e no texto publicado na coluna de Martha Medeiros no último domingo, dia 14 de novembro de 2010.
O que éramos?
Por que a dificuldade em entender o que significávamos, não um para o outro, mas sim juntos?
Tantas teorias, justificativas e desculpas sem sentido...
O que passou, passou. Não é assim que dizem?
Mas e o resto? E o que ficou? Sim, pois sempre herdamos algo de um relacionamento, seja uma outra postura, novos hábitos ou uma forma diferente de encarar a vida...
Agora, se para a Alan Pauls, para termos a exata noção de como foi um relacionamento, basta avaliarmos como ele terminou, a pergunta que nos resta é: o que deixamos como herança?
É normal culparmos o outro por nossas frustrações ou, pior ainda, nos massacrarmos com o peso da culpa. Mas por que não nos esforçarmos o máximo possível para sairmos de um relacionamento com a consciência tranquila e a sensação de que fizemos o melhor possível. Se lembrar do motivo pelo qual se apaixonou por alguém é a fórmula ideal para que consiga se despedir olhando em seus olhos com carinho, admiração e respeito.
Nunca mais nos falamos de verdade (apenas conversas superficiais e imaturas) e infelizmente a última lembrança que tinha de nós até então era de um dia de chuva e nós dois ali, sem saber o que dizer um ao outro e com o 'eu te amo' se transformando em um 'eu te odeio' a cada novo pensamento. Entretanto, a única coisa que consegui pronunciar foi um 'Você tem certeza?' e, em troca, ouvi 'Acho que é melhor assim'. Em seguida, o mais triste 'adeus' de minha vida e um abraço frio e sem sentido.
Antes parecia improvável. Durante, eterno. Mas depois... ah, depois... Depois, pareceu que foi tão rápido! Durou tão pouco que eu sequer entendi nada. Hoje, ainda reorganizando as idéias, confesso que lembro de alguns fatos isolados e que não vem ao caso no momento. Demorei muito tempo pra entender que, apesar das discordâncias e da falsa ilusão de perfeição que alimentamos, posso dizer que herdei coisas boas de você...
Aprendi com você a valorizar os meus sonhos, meus projetos; a defender meus ideais e tudo aquilo em que acredito, por mais utópico que possa ser; a não medir 'certo' ou 'errado' quando o objetivo for unica e exclusivamente ser feliz; a não ter vergonha de ter sede de vida; a humildade de admitir que sou um eterno aprendiz.
Seguimos caminhos opostos, mas ainda lembro de você. Hoje de uma outra forma, confesso... Não mais como um alvo ou um fantasma, mas como alguém extremamente importante em meu desenvolvimento como homem, como pessoa. Ainda não tenho como saber o que herdou de mim, mas queria que soubesse que sou grato.
E, se hoje afirmo que nosso relacionamento foi maravilhoso, único e especial (talvez o mais marcante que eu venha a ter na vida, mas sem o peso da expectativa de superá-lo, é claro), não tomo por base a nossa despedida, pois sei que não foi ali que acabou... Ele foi maravilhoso e assim sempre será em minha memória e no meu coração por me possibilitar, mesmo após tantos anos, chegar à conclusão de que ainda aprendo e aprenderei muito com ele e que de fato terminou somente quando entendi o que de fato ele significou para mim: AMOR.
Portanto, se o significado dele foi algo assim tão magistral, o mesmo posso afirmar dele...
Obrigado por tudo, especialmente por este momento tão mágico em meu viver!

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