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| Conflito: foto reflete bem a situação atual no Rio. |
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De um lado, a polícia; do outro, os bandidos. E a população no meio...
Geralmente é assim a descrição da maioria dos conflitos na guerra urbana a que o estado do Rio de Janeiro é frequentemente exposto. Com algumas variações, é claro, pois o controle do tráfico é disputado por três facções criminosas e algumas ramificações, o que por vezes resulta em conflitos entre os próprios traficantes ou até policiais envolvidos com eles ou milícias. Os grupos são de conhecimento da grande maioria. São eles: Comando Vermelho (CV - ramificação: CVJ (Comando Vermelho Jovem) / Aliado: Primeiro Comando da Capital (PCC - facção de São Paulo), Terceiro Comando (TC - ramificação: TCP (Terceiro Comando Puro) e Amigos dos Amigos (ADA). A história do primeiro e maior deles, o CV, se confunde com a história do próprio país. Originalmente Falange Vermelha, a facção foi fundada pela aliança entre presos políticos e criminosos comuns durante o final da Ditadura. Obviamente, a proposta original era mais um, entre tantos do período, movimento de resistência, porém a soma de conhecimento e armamento resultou em uma granada prestes a explodir a qualquer momento. Já se passaram quase 30 anos e a situação evoluiu até o ponto atual. Com a colaboração de policiais e governantes corruptos, além de uma sociedade hipócrita e omissa, os antes apenas anti-heróis, os primeiros traficantes, que respeitavam moradores e davam a assistência que o Estado optou por negar aos mais pobres, deram lugar à gerações cada vez mais violentas e comprometidas cada vez mais com o, veja só, conceito do Capitalismo no mundo: consumir, superar, arruinar e se sobrepor. Com isso, nasceram vários sistemas corrompidos dentro de um grande sistema à beira da falência, seja ética e moral ou financeira.
Policiais desvalorizados, assim como profissionais da Educação e Saúde, são o exemplo de um modelo político no qual se privilegia a alienação do povo em prol da manutenção de esquemas e conchavos. A mídia também faz parte do jogo e a conta, cada vez mais cara, é paga pela população, que é sufocada por impostos e imposições culturais, mas é carente de tudo o que prega a Constituição.
Não justifico qualquer opção pela marginalidade como responsabilidade apenas da sociedade, pois não faltam exemplos de pessoas que vieram do nada e construíram impérios ou apenas levaram a sua vida de forma honesta e respeitável. Tampouco condeno, como fazem os moralistas e usurpadores de plantão, a população que, por entender (e isso a maioria da população de classe média-alta finge não ver) que um salário mínimo não concede o mínimo de conforto e lazer, opta por comprar produtos piratas ou aceita ligações clandestinas de luz, àgua, telefone e TV à cabo. O Estado não pode culpar as pessoas por tentarem ter tudo aquilo de que lhe privaram ao longo dos anos. Se a situação melhorou nos últimos anos, é válido lembrar que a raiz da corrupção já está entranhada no povo também e, uma vez alastrada, não será fácil ser extirpada. Mudança de cultura exige mudança de postura por parte de quem cobra... Não só de quem paga.
Por isso, tantos marginais foram idolatrados e a população, em sua grande e esmagadora maioria, não tem a menor confiança na polícia, que certa vez foi comparada a um cão, que obedece e segue a linha de doutrina pregada por seu dono, no caso governos corruptos e desprezíveis. Se o poder corrompe, o que dizer de quem empunha uma arma e defende idéias contestáveis?
Agora, com um setor especial da polícia, o Batalhão de Operações Especiais (BOPE), sendo novamente respeitado, é nítida a renovação de esperança de um povo oprimido e maltratado. Todos ganham com este novo cenário e uma mudança de mentalidade é exercitada a cada dia e ação.
Hoje, estamos em um ambiente caótico, porém necessário, no Rio de Janeiro e, apesar de ainda termos nossos próprios conflitos interiores e divergências sobre como se proceder, é comum a todos o desejo por paz, ou ao menos, um pouco mais de respeito ao ser humano. Que todos entendam que esta é uma luta de todos por um pouco mais de civilidade.
Direitos humanos para humanos de direito.