segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Devaneios...

Fatos estranhos nos últimos dias me levaram a crer que voltei a ter dificuldades em separar o real do ilusório, como nos tempos da gritante insônia. E, dando continuidade ao caos mental que me assola, eis o que me ocorreu:

Era uma noite tranquila e os primeiros pingos anunciavam e chegada da chuva. Como ainda levaria cerca de uma hora até chegar ao meu destino, não lutei muito contra o sono e adormeci no ônibus... Até aí, nada demais. Interessante foi o que aconteceu depois.

Eu sabia que estava no ônibus ainda, mas me via completamente envolto em uma escuridão absurda. Do lado de fora, o cenário não era diferente. Sinceramente, não sei como o motorista ainda conseguia conduzir o veículo, se nem mesmo via sinal dos faróis, inclusive dos demais carros. Entretanto, ouvia tudo claramente e uma conversa em particular me chamou tanto a atenção que me desvencilhei da curiosidade a respeito do breu.

Um casal, pelas vozes aparentemente jovens, discutia aos berros e soluços e, mesmo que o silêncio dominasse os demais passageiros, o clima denunciava um ônibus, se não cheio, ao menos com umas vinte pessoas. O casal não dava sinais de que partiria para a agressão física mas de toda maneira o tom da discussão era áspero. Um acusava o outro pelo fracasso da relação e eu, já calejado de todo esse blablabla babaca, sabia qual seria o próximo passo. Conforme o previsto, o rapaz puxou a cigarra, disse que não dava mais para ele, que tinha sido bom até começarem as brigas e que um dia ainda ririam de tudo aquilo. Desceu e disse a palavra que nós sabemos dizer tão bem nesses momentos:

- Adeus...

Me vi naquela situação... Quantas vezes não fui eu a descer do ônibus e partir em busca de uma nova estrela? Quantas vezes não fui eu a não olhar mais para trás? Sim, eu me pus do lugar daquele rapaz. Até que... ela chorou ainda mais. Copiosamente, sabe? Normalmente não me dizem nada momentos como este, mas algo de estranho aconteceu e, antes que as pessoas digam que quis me aproveitar - como já fiz muitas vezes, confesso -, afirmo que, de forma não intencional, pensei alto demais e acabei dizendo:

- Eu entendo a sua dor...

E é claro que eu entendia... Afinal, não importa quantas vezes desci do ônibus se nenhuma compensa a única vez em que fui eu quem ficou pra trás. Ainda por cima a chuva pra me fazer lembrar de toda uma trama que me acompanha como uma sombra... Pensei comigo: 'Será que ela me ouviu?'. Já sabia a resposta quando aconteceu...

Ela veio em minha direção. Mesmo que eu não conseguisse enxergar nada, sabia que ela estava próxima, sentia o calor de sua pele, quando ela deitou a cabeça em meu ombro e me vi abraçando aquela completa desconhecida. Suas lágrimas molharam um pouco a minha camisa; sua face me era completamente indecifrável, assim como a cor de seus olhos, pele e cabelo. Foi então que, de um agradecimento mudo, porém sentido, aconteceu o beijo. Seus lábios me pediam vida, acalanto, carinho e alma... Tanta verdade naquele beijo e um pouco do amor que a pouco era esquecido. De repente, o ônibus parou, ela me abraçou com força e sentimento e partiu. Me deixou ali sem entender nada, mas compreendendo tudo...

Ainda estava aturdido com o que tinha ocorrido quando acordei. Se é que acordei... Digo, não que eu não tenha (quase) certeza que foi tudo um sonho. Não é isso! Mas é que, apesar de não tão intensa, a escuridão tomava conta de tudo e a Ilha do Governador estava um completo breu... O ônibus já quase todo vazio e eu sem coragem de perguntar nada a ninguém. Prefiro ficar assim... Não sei como explicar, mas é como quero ficar no momento.

sábado, 27 de novembro de 2010

Loucura?!

Muitos não sabem o que falam
Escrevo não como afago ao ego, mas como salvação à alma... A cada texto, publicado ou não, é um desabafo a mais que me afasta da loucura e me aproxima do equilíbrio. Muitos querem ser loucos, mas não entendem a dor e a fúria de se ver tão sensível à loucura que o mais coerente é se proteger de si mesmo. O charme que alguns vêem, e eu mesmo já vi, não tem nada de especial quando o riso é descontrolado e o choro incontrolável... Eu não presto, você não presta e talvez ninguém preste, mas ainda consigo pensar e pesar alguns dos meus atos, mesmo que as consequências já me espanquem e me levem ao arrependimento. Se quiser pegar esse caminho, que o faça consciente, mas não ingenuamente como o fiz.

Nem tudo é como parece, afinal...
Incrível como algumas coisas são atraentes para quem não as conhece profundamente, né? Como a insanidade é vista e veiculada como algo fora de série algumas vezes. Deve realmente ser inspirador afastar as pessoas que se importam com você por momentos de completa estupidez e isolamento. Enquanto hibernamos nosso bom-senso, deixamos exposto nossa face oculta: a porta para o destempero, mas também para a violência gratuita e a agressividade imprevisível. É óbvio que as pessoas mais próximas entenderão que o comportamento imprevisível é apenas mais um aspecto de uma personalidade angustiante e uma identidade cada vez menos clara. O complicado é saber até que ponto elas o aguentarão... Pense nisso!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Rio de Janeiro - a visão por trás da câmera

Conflito: foto reflete bem a situação atual no Rio.
De um lado, a polícia; do outro, os bandidos. E a população no meio...
Geralmente é assim a descrição da maioria dos conflitos na guerra urbana a que o estado do Rio de Janeiro é frequentemente exposto. Com algumas variações, é claro, pois o controle do tráfico é disputado por três facções criminosas e algumas ramificações, o que por vezes resulta em conflitos entre os próprios traficantes ou até policiais envolvidos com eles ou milícias. Os grupos são de conhecimento da grande maioria. São eles: Comando Vermelho (CV - ramificação: CVJ (Comando Vermelho Jovem) / Aliado: Primeiro Comando da Capital (PCC - facção de São Paulo), Terceiro Comando (TC - ramificação: TCP (Terceiro Comando Puro) e Amigos dos Amigos (ADA). A história do primeiro e maior deles, o CV, se confunde com a história do próprio país. Originalmente Falange Vermelha, a facção foi fundada pela aliança entre presos políticos e criminosos comuns durante o final da Ditadura. Obviamente, a proposta original era mais um, entre tantos do período, movimento de resistência, porém a soma de conhecimento e armamento resultou em uma granada prestes a explodir a qualquer momento. Já se passaram quase 30 anos e a situação evoluiu até o ponto atual. Com a colaboração de policiais e governantes corruptos, além de uma sociedade hipócrita e omissa, os antes apenas anti-heróis, os primeiros traficantes, que respeitavam moradores e davam a assistência que o Estado optou por negar aos mais pobres, deram lugar à gerações cada vez mais violentas e comprometidas cada vez mais com o, veja só, conceito do Capitalismo no mundo: consumir, superar, arruinar e se sobrepor. Com isso, nasceram vários sistemas corrompidos dentro de um grande sistema à beira da falência, seja ética e moral ou financeira.
Policiais desvalorizados, assim como profissionais da Educação e Saúde, são o exemplo de um modelo político no qual se privilegia a alienação do povo em prol da manutenção de esquemas e conchavos. A mídia também faz parte do jogo e a conta, cada vez mais cara, é paga pela população, que é sufocada por impostos e imposições culturais, mas é carente de tudo o que prega a Constituição.
Não justifico qualquer opção pela marginalidade como responsabilidade apenas da sociedade, pois não faltam exemplos de pessoas que vieram do nada e construíram impérios ou apenas levaram a sua vida de forma honesta e respeitável. Tampouco condeno, como fazem os moralistas e usurpadores de plantão, a população que, por entender (e isso a maioria da população de classe média-alta finge não ver) que um salário mínimo não concede o mínimo de conforto e lazer, opta por comprar produtos piratas ou aceita ligações clandestinas de luz, àgua, telefone e TV à cabo. O Estado não pode culpar as pessoas por tentarem ter tudo aquilo de que lhe privaram ao longo dos anos. Se a situação melhorou nos últimos anos, é válido lembrar que a raiz da corrupção já está entranhada no povo também e, uma vez alastrada, não será fácil ser extirpada. Mudança de cultura exige mudança de postura por parte de quem cobra... Não só de quem paga.
Por isso, tantos marginais foram idolatrados e a população, em sua grande e esmagadora maioria, não tem a menor confiança na polícia, que certa vez foi comparada a um cão, que obedece e segue a linha de doutrina pregada por seu dono, no caso governos corruptos e desprezíveis. Se o poder corrompe, o que dizer de quem empunha uma arma e defende idéias contestáveis?
Agora, com um setor especial da polícia, o Batalhão de Operações Especiais (BOPE), sendo novamente respeitado, é nítida a renovação de esperança de um povo oprimido e maltratado. Todos ganham com este novo cenário e uma mudança de mentalidade é exercitada a cada dia e ação.
Hoje, estamos em um ambiente caótico, porém necessário, no Rio de Janeiro e, apesar de ainda termos nossos próprios conflitos interiores e divergências sobre como se proceder, é comum a todos o desejo por paz, ou ao menos, um pouco mais de respeito ao ser humano. Que todos entendam que esta é uma luta de todos por um pouco mais de civilidade.
Direitos humanos para humanos de direito.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Mulher valente é minha mãe... Parabéns, Dona Nice!

Não pude deixar de citar uma de minhas músicas prediletas para falar da pessoa de quem mais me orgulho no mundo...
 
Hoje é o aniversário da mulher que mais amo na minha vida: a Pará! Falo de minha mãe, Dona Nice, do alto de seus 61 anos, ou seja, mais novas 10 boas idéias a cada instante.

Mãe, te agradeço por tudo o que já fez por mim (quer dizer, quase tudo, né? rs), por ter me dado noção de caráter, coragem de lutar pelo que acho certo e, acima de tudo, hombridade de aceitar ser quem eu sou, com minhas virtudes e meus defeitos.

Não tenho como não ficar emocionado ao falar de você, mas a verdade é que enfrento processos, surras e a merda que for pra te defender!

Ah, minha passarinha... eu te adoro!

sábado, 20 de novembro de 2010

É tempo de... prazer

Nem sequer me dei conta, mas dessa vez o tempo passou depressa, não foi? Sério! Não é clichê, nem nada disso, mas você há de concordar que o tempo hoje voou... Hein?
Ah, o tempo... Esse filho da mãe que nos escapa entre os dedos e nos deixa impotentes diante de algumas situações... Não gosto do tempo, pois ele envolve sempre uma despedida, um quê de partida já no encontro. Por mim, tudo seria eterno, menos a tristeza, a dor... 
Agora, veja você, temos que voltar para nossas vidas. As mesmas vidas das quais fugimos só pra haver esse momento, ou momentos como esse.
Foi o aceno, a cumplicidade no olhar que indicava o próximo passo, os celulares desligados, o abandono do mundo e os seus problemas... Depois foram as sacanagens ao pé do ouvido, as mordidas ainda no táxi e nós nos provocando cada vez mais, sem nos importarmos com mais nada e a cidade lá fora se desvencilhando da gente em borrões...
O gosto do seu corpo, meigo e sedento, o calor, a fúria, todo o tesão dominando o quarto, possuindo as nossas almas e ali éramos só instinto... Boca, língua, seios, coxas, bunda e o prazer... O prazer de sentir você, provar seu gosto, seu tempero e te beber, me deliciar de você e ver você fazendo o mesmo comigo... Isso não tem preço...
Mas tem hora... tem tempo!
Ah, o maldito tempo com suas regras idiotas e as conveniências da vida. A cada dia tenho a impressão de que durou menos, mesmo que o relógio me contradiga... Só sei que, se o tempo insiste em nos sacanear e passar depressa quando estamos juntos, eu vou dar um jeito de ele fazer o mesmo quando não nos encontrarmos...
Aí recomeçaremos nosso jogo, com direito a prorrogação, penalidades e todo o campeonato, cujo o prêmio é aquele por qual sempre lutamos: o prazer!

Ah, dá um tempo!

Ando meio sem tempo para os conflitos na Palestina, para a intolerância religiosa, para o preconceito racial ou a homofobia... Completamente sem saco para a misogenia hipocristã e os noticiários sobre economia, preservação do meio-ambiente ou escândalos sobre pedofilia no Vaticano ou desvios, de caráter e dinheiro, nas câmaras ou templos. É sério! Talvez amanhã eu volte a me incomodar com as guerras anunciadas, com os tiranos do Oriente e os ditadores do Ocidente, com as filosofias marxistas ou as balelas hittlerianas. A exploração do trabalho infantil e a escravidão são temas relevantes e merecem debate, mas posso adiar essa discussão? Podemos falar sobre as teorias de conspiração e a queda do Capitalismo uma outra hora? Pra qualquer papo-cabeça, passa amanhã!

Hoje eu tô de folga... do mundo!

Dê férias para a sua pseudo intelectualidade... às vezes!

Apocalipse social

"De repente, a revolta... Incêndios por toda a cidade, destruição de prédios e inúmeros sequestros políticos. Os órgãos de segurança desesperados com o caos que se espalhava e as igrejas lotadas de pecadores em busca de perdão. Sim, era o apocalipse social... Um pandemônio só. As crianças não foram liberadas para sair da escola e o lugar mais seguro era aquele no qual se estava no momento... Ninguém sabia como aquilo havia começado, porém o final era fácil de se prever: trágico! Eram tiros e explosões sem fim, carros abandonados e a barbárie cada vez mais aguda."
 
 

Foi uma experiência tão real que nem mesmo sei afirmar se aquilo foi realmente sonho ou uma premonição... Mas, se for o futuro, que venha logo: estarei preparado.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Resumo do sistema

* este texto também foi publicado no Anarquismo Literário.


Por aí de mal com o mundo,
Com o peito sufocado...
Quem encara a ladeira
Sabe o peso do descaso

Despreparo de quem cuida,
Destempero de quem manda
Pro suspeito de nascença
É assim que toca a banda

Palavrão engatilhado,
Consequência não medida
Cada um com seu porém
Mas não cutuca a ferida!

Marginal ou vagabundo?
Nem aí pro preconceito
O ensinamento das vielas:
O medo gera respeito

Abandono à luz do dia
E a revolta reprimida
Pra cada possante que sobe,
Outra alma destruída

- Tem do preto, tem do branco
O comércio é liberado
Quem faliu cassino e banco
Fez ser certo o que era errado

E agora o que que vem?
Aparato social?
O show do Wagner Montes
Ou do Jornal Nacional...

O retrato mais fiel
Do cenário que disfarçam
Não tem luxo de hotel,
Por ali só poucos passam

Assistencialismo é besta?
Hipocrisia é o problema
Se a favela é violenta,
É o resumo do sistema...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O que herdamos do amor?

* Este texto é inspirado no livro 'O Passado', de Alan Pauls, e no texto publicado na coluna de Martha Medeiros no último domingo, dia 14 de novembro de 2010.

O que éramos?
Por que a dificuldade em entender o que significávamos, não um para o outro, mas sim juntos?
Tantas teorias, justificativas e desculpas sem sentido...
O que passou, passou. Não é assim que dizem?
Mas e o resto? E o que ficou? Sim, pois sempre herdamos algo de um relacionamento, seja uma outra postura, novos hábitos ou uma forma diferente de encarar a vida...
Agora, se para a Alan Pauls, para termos a exata noção de como foi um relacionamento, basta avaliarmos como ele terminou, a pergunta que nos resta é: o que deixamos como herança?
É normal culparmos o outro por nossas frustrações ou, pior ainda, nos massacrarmos com o peso da culpa. Mas por que não nos esforçarmos o máximo possível para sairmos de um relacionamento com a consciência tranquila e a sensação de que fizemos o melhor possível. Se lembrar do motivo pelo qual se apaixonou por alguém é a fórmula ideal para que consiga se despedir olhando em seus olhos com carinho, admiração e respeito.
Nunca mais nos falamos de verdade (apenas conversas superficiais e imaturas) e infelizmente a última lembrança que tinha de nós até então era de um dia de chuva e nós dois ali, sem saber o que dizer um ao outro e com o 'eu te amo' se transformando em um 'eu te odeio' a cada novo pensamento. Entretanto, a única coisa que consegui pronunciar foi um 'Você tem certeza?' e, em troca, ouvi 'Acho que é melhor assim'. Em seguida, o mais triste 'adeus' de minha vida e um abraço frio e sem sentido.
Antes parecia improvável. Durante, eterno. Mas depois... ah, depois... Depois, pareceu que foi tão rápido! Durou tão pouco que eu sequer entendi nada. Hoje, ainda reorganizando as idéias, confesso que lembro de alguns fatos isolados e que não vem ao caso no momento. Demorei muito tempo pra entender que, apesar das discordâncias e da falsa ilusão de perfeição que alimentamos, posso dizer que herdei coisas boas de você...
Aprendi com você a valorizar os meus sonhos, meus projetos; a defender meus ideais e tudo aquilo em que acredito, por mais utópico que possa ser; a não medir 'certo' ou 'errado' quando o objetivo for unica e exclusivamente ser feliz; a não ter vergonha de ter sede de vida; a humildade de admitir que sou um eterno aprendiz.
Seguimos caminhos opostos, mas ainda lembro de você. Hoje de uma outra forma, confesso... Não mais como um alvo ou um fantasma, mas como alguém extremamente importante em meu desenvolvimento como homem, como pessoa. Ainda não tenho como saber o que herdou de mim, mas queria que soubesse que sou grato.
E, se hoje afirmo que nosso relacionamento foi maravilhoso, único e especial (talvez o mais marcante que eu venha a ter na vida, mas sem o peso da expectativa de superá-lo, é claro), não tomo por base a nossa despedida, pois sei que não foi ali que acabou... Ele foi maravilhoso e assim sempre será em minha memória e no meu coração por me possibilitar, mesmo após tantos anos, chegar à conclusão de que ainda aprendo e aprenderei muito com ele e que de fato terminou somente quando entendi o que de fato ele significou para mim: AMOR. 
Portanto, se o significado dele foi algo assim tão magistral, o mesmo posso afirmar dele...
Obrigado por tudo, especialmente por este momento tão mágico em meu viver!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Olhos de resgate

Sabe...
Ela tinha um jeito meigo de me olhar,
De me encontrar em meio ao caos,
Me resgatar

Nossa...
Quanto tempo faz que não a vejo?
Quanto tempo faz que eu já nem lembro?
Sei lá...

Já não me importa...
Alguém bate à porta e quer entrar...
Alguém que não me importa quer chegar
E ficar... 
 
Talvez pra sempre
Talvez nem entre
Talvez, quem saiba,
Possa também resgatar?

Mas sabe...
Ela tinha uns olhos de pedinte do amor,
Uns olhos que nem mesmo eu soube ler
Uns olhos nos quais me perdi pra sempre

Nossa...
Meus olhos de menino apaixonado,
Os olhos testemunhas de quem fui
E à busca do resgate que não vem

E o que importa?
A vida torta que escolhi seguir... seguiu
E a tal porta da ilusão se abriu
Pra quem?

Talvez pra sempre
Talvez nem entre
Talvez, quem saiba,
Possa também resgatar?

Como usar um 'Não' de forma benéfica

  • Não deixe que as pegadas ao longo do caminho sejam seu ponto de encontro no instante da mudança, se realmente achar que não deve voltar atrás...
  •  Não se permita um só instante de depressão pra que esse mal não se alastre aos poucos em seu peito e contamine a sua alma...
  • Não diga que sorrir é difícil se você sequer se esforçar em sua única missão, que é ser feliz...
  • Não se culpe por chorar, afinal você é um ser humano e não um robô...
  • Não se limite pelo orgulho e seja humilde em admitir quando você de fato errar...
  • Não se permita decepcionar-se sem entender que segunda chance é pra quem merece e perdão pra quem o busca...
  • Não julgar é o primeiro passo para não condenar injustamente...
  • Não perca tempo com pessoas pessimistas e amarguradas para que não se equivoque em achar que elas estão certas, caso algo saia diferente do planejado...
  • Não se importe nunca em ser um aprendiz para que, ao pensar saber de tudo, não se entristeça ao perceber que ninguém nunca saberá nada...
  • Não desperdice sua vida com teorias, regras ou conveniências, mas arque com as consequências e maravilhas (ou pesares) de ser você mesmo...

Acerca da saudade...

Fecho os olhos de noite e ainda lembro de tudo, inclusive do cheiro... Teu cheiro de jardim em dia de luz, teu gosto de mel e da tua presença. Foi preciso eu terminar aquele livro pra me dar conta de que você realmente havia partido. Não foi a chuva, não foram as lágrimas... Foi a palavra 'FIM' escrita em letras garrafais pra eu entender minha real situação.
Me diz o que passou pela sua cabeça ao pensar que eu iria suportar isso tudo!
Não se substitui alguém assim como você, momentos como os nossos.
Hoje eu sei que outra foto ocupa o porta-retrato ao lado da cama e que uma criança herdou seu sorriso, mas também sei que a minha herança também foi o meu maior castigo: a saudade!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Certas coisas não mudam...

* Hoje ouvi uma conversa no Metrô entre dois garotos de uns 15 ou 16 anos e resolvi transcrever o diálogo que um dele diz ter tido com 'uma mina'... Confesso que, ao escrever isso, notei que alguns traços masculinos permanecem inalterados ao longo do tempo e que realmente não prestamos desde cedo... Quer dizer, nem todos prestam, né? Afinal, eu sou um bom moço!

Ela disse: não
E ele perguntou: mas por que?
Ela respondeu: pois não estou pronta...
Ele argumentou: mas eu serei cuidadoso...
Ela já se irritando: por que você só pensa nisso?
Ele ficou em silêncio e sem ação...
Ela gritou: ASSIM NÃO DÁ PRA GENTE CONTINUAR!!!!!
E ele perguntou: você tem certeza?
Ela respondeu de forma triste: infelizmente sim...

O clima de O.K. pairava no ar quando ela começou a chorar e eles deram o abraço de despedida... Ela saiu do quarto pensando que aquele era o pior dia de sua vida e ele contemplou o teto durante alguns minutos até pegar o celular e retomar os contatos pois... vida que segue!

Como já disse antes, certas coisas não mudam...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A culpa é da Ana Flávia

Ontem, ao voltar do Méier, eis que o calor me venceu e tirei a camisa. Como alguns dos que convivem comigo já sabem, não sou mais o garoto esquelético do tempo da escola, o barrigudo de seis meses atrás ou o metido a forte da época da academia e do quartel... Assim sendo, restam-me algumas costelas à mostra e um umbigo meio saliente após as refeições, em geral. Mas isso, graças a Deus, mudará em 2011, quando pretendo levar uma vida mais saudável, embora ainda meticulosamente irresponsável. De toda forma, vinha eu totalmente suado e serelepe para casa quando no caminho encontro uma guria que sempre babou meu ovo e elevou minha auto-estima a graus inimagináveis... Ao cumprimentá-la, porém, notei que seu olhar instintivamente percorreu meu dorso e parou sobre meu umbigo. Não sei se ela esperava uma barriga tanquinho, uma tatuagem ou um piercing ali, mas sei que o olhar foi de decepção, um misto de 'não acredito' com 'eu, hein'. Eu me senti totalmente 'tchau' ou 'eu quero a minha maẽ' naquele instante... Logo em seguida, usei tal fato para explicar à uma colega (beijão, Pri) o porquê de eu ser tão carinhoso com minhas amigas, inclusive as feias. Afinal, não custa nada afagar o ego de quem merece, não? O problema é que dei brecha para críticas ao meu comportamento e, embora ela tenha aprovado essa minha samaritana atitude, trouxe à tona meu já conhecido e quixotesco jeito (é, Josy... o lado canastrão mesmo)... haha
Priscila perguntou se considero certa minha atitude em relação às mulheres quanto a esse meu jeito de 'flertar' com quase todas que conheço... Aproveito para responder a todos:
Respeito muito as minhas amigas e as mulheres em geral. Correção: respeito quem merece respeito... Meu comportamento por vezes é julgado de forma errada, pois não sou o cara que atira pra todos os lados, apenas sou brincalhão e gosto de tratar todo mundo bem. Quanto ao pseudo-atrevimento, aí já não posso negar: sou abusado mesmo, se me derem liberdade, toco, aperto, beijo e sou assim mesmo, de toque. Viva o calor humano!!!!!
Mas esse 'problema' não é culpa só minha... Na verdade, nem um pouco.

A CULPA É DA ANA FLÁVIA!!!!!

Era uma pele sardenta, clarinha... Cabelos ruivos e um olhar verde! Lembro de meu primeiro beijo em uma boca com aparelho. Aquelas pernas expostas, uns seios apetitosos e maravilhosos e as safadezas inesquecíveis de quem na época só precisava estudar e mais nada... A minha inocência foi totalmente roubada pela Ana Flávia e essa liberdade que as vezes confundo com libertinagem foi herdada dessa relação.

Assim sendo, meninas... Quando se emputecerem comigo por algum abuso, lembrem-se:

A CULPA É DA ANA FLÁVIA!!!!!

Ps: dizem que hoje ela desfila de moto por aí com sua... namorada! Pra vocês verem, hein? hahaha

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Um eterno apaixonado...

* Achei este texto em meu outro blog (Anarquismo Literário) e nem sequer lembrava dele, embora ao ler tenha ficado muito orgulhoso de tê-lo escrito... Segue:

Eu sou aquele que, com o passar do tempo, ainda não te esqueceu; aquele que, após anos de lágrimas, risos, amores e raras conversas, ainda pensa em você e acorda suando frio pelas madrugadas... às vezes, muitas vezes em braços que não os seus; sou aquele que ainda te ama, te segue e te vigia; "teu guardião sem propina" como diria Zeca Pagodinho; aquele que sabe o que Cazuza quis dizer em "Todo o amor que houver nessa vida"; aquele que canta "Se fiquei esperando o meu amor passar" invejando a criatividade de Renato Russo; aquele que ouviu Elis Regina cantar "Atrás da Porta" só pra entender o porquê de você gostar tanto; aquele que não cansa de dizer que vai fazer alguma coisa mesmo que nunca faça nada pra mudar a "nossa" situação. Eu sou aquele que espera o seu telefonema mas não rejeita os telefonemas que recebe; sou aquele que continua se apaixonando três vezes por semana tendo amado somente uma vez na vida; aquele menino-louco que você transformou em homem de verdade mas que continua com seu choro infantil e mimado quando ouve a sua voz; que chantagista sou eu, hein? Aprendi com você a ser egoísta mas sem aparentar sê-lo; a tentar sempre o possível porque ninguém é tão bom a ponto de merecer o impossível mesmo que por você... eu fizesse; a usar o coração quando a cabeça me faz ser frio e usar a cabeça quando o coração me faz ser cego; aquele que até concorda com você sobre não darmos certo mas que não se culpa por imaginar como teria sido... Enfim, sou aquele que morreu pra poder renascer e provar que um amor resiste até ao tempo. Eu sou aquele mesmo cara de alguns anos atrás e temo sempre sê-lo, mas sem vergonha de admití-lo, ok?

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O que fazer?

O que fazer, meu bem, do dia?
Pois, sem tua companhia, eu me sinto tão perdido...
Toda a minha inspiração me fugiu com teu abraço
Dado que o meu sorriso está ligado
Indiretamente a ti,
Indiretamente à lua,
Que ilumina a tua rua toda vez que vou buscar
A menina dos meus sonhos,
Com a qual matei os planos de ser só mais um de tantos
Destes que morrem de amor...

O que fazer, meu bem, da falta?
Pois a dor, se não me mata, quando em quando angustia...
Veja a minha condição com a saudade de teus olhos
Nem de bruma ou de ressaca
Mas do vício em não ser presa,
Do orgulho em ser só tua,
Prezo a ti, oh criatura, deixe ao menos te tocar
Não somente nos meus sonhos,
Mas também na tua alma que, se não me rouba a calma,
Multiplica o meu amor...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Pseudo...

Engraçado como o termo passa uma idéia de falso, forjado ou algo do tipo... No caso deste que vos escreve, e dos seus, não é nada disso!  Tem um algo a mais embutido no que se refere à minha trupe. Tem mais a ver com uma postura que visa mascarar uma realidade nem sempre interessante (ou, na visão de muitos, pouco atraente).
Ando com pessoas fantásticas e, nem por isso, perfeitas. Muito pelo contrário! Se, assim como eu, todos buscam ocultar suas fraquezas e só as revelam, se é que o fazem, a pessoas nas quais quem confiam, ninguém pode condenar nossa criatividade... Sem falsa modéstia, se os outros criam personagens, nós criamos ícones, verdadeiros ídolos para os fracos e carentes que nos acompanham.
Entre nós, existem pseudo-depressivos, pseudo-revolucionários, pseudo-anarquistas, pseudo-durões, pseudo-malandros, pseudo-maníacos, pseudo-loucos e até mesmo pseudo-pseudo...
Mas o que importa, acima de tudo, é que todos nós somos pseudo-intelectuais de primeira!

Dez Mandamentos do Torcedor Alvinegro

I - Evitarás ao máximo agir como vândalo para que não sejamos comparados a torcedores rubro-negros;

II - Protestarás de forma inteligente, vaiando e aplaudindo na hora certa para que não venhas atrapalhar ou iludir o time;

III - Terás na ponta da língua ao menos 2 times ideais do Botafogo de todos os tempos e 1 dos melhores jogadores da década atual;

IV - Jamais cobiçarás a mulher de um companheiro alvinegro;

V - Jamais serás preso com a camisa do Glorioso e, no caso de ser pego por engano com o manto sagrado, tirar a camisa rapidamente e não envergonhar os demais irmãos;

VI - Não diferenciarás sócios de arquibaldos, afinal o que nos une é este amor que ninguém cala, nunca a quantia investida em nosso clube;

VII - Serás para sempre desconfiado, para que a cada conquista possa soltar o grito de campeão de forma vibrante e maravilhosa;

VIII - Entenderás ainda cedo que o Botafogo não é um time de grandes goleadas, embora tenhamos algumas marcantes (a maior o futebol brasileiro, inclusive: 24 X 0 no, por isso mesmo, extinto time da Mangueira), ou de inúmeros títulos, embora sejamos os maiores vencedores do Torneio Rio-São Paulo e até hoje o único carioca Tetracampeão Estadual, mas de grandes jogos, viradas emocionantes e ídolos inesquecíveis, tanto para nós quanto para os demais brasileiros (afinal formamos a base das Seleções de 58, 62 e 70, além de torcermos para o clube que mais cedeu atletas à Seleção Brasileira e, levando em conta os jogadores estrangeiros, à Copa do Mundo em toda a história);

IX - Saberás entoar do início ao fim o Hino Botafoguense, tido por muitos como o mais bonito da Região Sudeste e um dos mais emocionantes de todo o Brasil;

X - Ao ler e reler histórias magistrais de Heleno de Freitas, Nilton Santos, Jairzinho e o maior de todos, Garrincha, entenderás de uma vez por todas que o Botafoguense não escolheu seu time, mas foi escolhido. Bendito todo aquele que, assim como eu, for guiado por uma estrela: a Estrela Solitária.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Acaso

Mureta... E eu ali, olhar atento a tudo. Lá embaixo, a calmaria de um dia já nascendo. Nem mesmo sei quando minhas pernas me trouxeram até aqui. Tudo de que me lembro é de um beijo.
Um beijo que anuncia um mundo, que reescreve a história, que reinicia a vida. Um beijo desses que nos faz perder o chão e tocar as nuvens. O começo de tudo, o fim do tédio...
Ela tinha um olhar triste, misto de desespero e carência... Eu já conhecia o jogo, sabia o que devia ser feito. Portanto, segui o meu instinto e fiz o que deveria ser feito.
É uma pena ter acordado sozinho, mas amanhã quem sabe um novo porto; uma nova companhia... Quem sabe um outro beijo?

Verdes

Eram mais que olhos verdes na noite
Farol, ponto de encontro…
E eu tão perdido,
Tão mergulhado nesse mar de sentidos

Eram mesmo verdes?
Já faz mesmo algum tempo,
Mas disso eu tenho certeza:
Eram verdes… cintilantes

O acorde (me acorde)
Viva alma em busca do encontrar-se constante
Carente não mais desse cais, do equilíbrio
Hoje tão heroína quanto misteriosa

Sim, meu Deus:
Eu lembro… eram verdes!
Eram mesmo algo mais do que humanos
Eram o brilho que ousei roubar um dia

Faz tempo, hein?

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Mané...

“Um dia, um poeta entreabriu as pétalas de uma rosa brandante. No íntimo da flor encontrou, vislumbrado, um verão inteiro. Eu também quis ver de perto a alma de outro devaneio, a bola. Despetalei os gomos, um por um, e encontrei um drible de Garrincha”. (Armando Nogueira)

Uma nova faceta

Ando meio cansado do confronto, da luta...
Ando cansado da guerra
Não sei como será o dia de amanhã
Mas sei que espero ser uma pessoa melhor ao seu despertar
Quero um gole de vida que preencha todo o vazio de um peito
Almejo um instante de luz que me satisfaça
Mesmo que só aos poucos, também quero minha felicidade
Quero paz mais do que já quis briga
Não vou guardar o meu ódio por não ser algo que se preserve
E tentarei pronunciar mais palavras como amor...
Usar rimas que tenham por musa uma flor
Pra não perder tempo falando somente de dor
Cansei de ser 'sem'...
Quero agora ser 'com'...
Quero somente o bem, ter por quem... um outro alguém
- Já encontrei (será?)
Eu não sei, mas quem mais saberá?
Vou tentar melhorar nisso
Tentar ser mais amigo
Não só dos outros, mas também de mim mesmo
Que as nuvens negras continuem a se dissipar
Que a luz desse sol me aqueça
Que o brilho da lua me inspire
Que a saudade não vire pesar, mas apenas estrela nascente
Que a alegria se torne constante, não passado, mas também presente
Que a todos venha a sabedoria
- Um olhar de esperança, eis o tudo que peço
Quero agora esse sabor da vida
Pra que ainda volte a falar de Deus...